... O site alenqueremos informa: ...

     

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PARCERIAS

Jornal Surubiú 
Uruatapera         

Osvaldo Simões - Poeta 
www.omarambire.com.br

   
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

________________

Acari, o peixe predileto dos

            (chi) ximangos

 

 

   (93) 9141-2371 / 9128-9424

 

 

 

 

 

 

  Colunas - Beatriz do Valle  

Luanda de Ontem
(Dos anos 40 aos 60)

Ainda sou do tempo em que a Luanda era da Arnado Moraes, continuando: Tenente Simões, Hemenegildo Valente, Santo Antônio, 10 de Outubro, Bentes  Monteiro, José Cardoso, Tiago Serio e Eugênio Marques e uma parte das Ruas: Avenida Getúlio Vargas, que era chamada carinhosamente de Rua da Frente; Coaracy Nunes; Rosomiro Batista; Visconde do Rio Branco e Pedro Vicente; até aí. O resto eram caminhos pela verdejante mata e encantadoras serras que hoje estão agonizando.

Não existia Centro propriamente dito. Acredito que o Centro começa, acorda, surge, ou mesmo gerase, com o nascimento do Internacional, pois as cores da Luanda eram: Azul e Branco, por aí se pode ter uma solução aproximadamente, pelas cores do União Esportiva. Insatisfeitos alguns sócios, talvez por não aceitarem certas burocracias daquela época, como por exemplo: não entrava no clube negro, pobre, filhos de mãe solteira, o próprio jogador etc. Esta insatisfação aconteceu em janeiro de 1955 lembro de alguns fundadores do Esporte Clube Internacional é que eram sócios do União Esportiva: Sr. Gérson Melo, Telegrafista daquele momento, Sr. Jacob Athias proprietário da Olaria Iacy, Sr. Cyro Salomão, gerente da Casa Paysano, Sr. Juracy Cordeiro, Gerente da Casa Santo Antônio, meu pai, José do Valle, funcionário do Fomento Agrícola, Sr. Juarez Amorim Rebello, Coletor federal, Sr. Benedito Monteiro, advogado e compositor do Hino que interpretado, diz o que houve entre eles. E nos anos 80, os grupos: Zé matuto e matutando trocaram as cores, achei engraçado isto...! Não sei se foi paixão pelos bois de Parintins ou se foi naturalmente.

É muito bom a gente relembrar. Acreditem que rejuvenesci, vasculhando o meu arquivo da Saudade. A única Escola Pública era o Grupo Escolar de Alenquer, hoje Fulgêncio Simões, e que internamente também era muito bonito. O piso era com madeira de lei, preta e amarela, formando faixas decorativas. Tinha o palco, os biombos, se não me engano três de cada lado, pintados artisticamente à óleo, um salão perdido para reuniões, festas e teatrinhos dos próprios alunos muito bem e caprichosamente estruturado e que na primeira reforma desapareceu ficando o coitado todo tipoiado.

Quando os alunos se encontravam no grupo começavam as discussões, coisa de criança, um tipo de critica, que acabava em graça.

Luanda, só come sebo de holanda, não tem nada, é pobre, não tem comércio, não  tem arroz, feijão, farinha, cumaru, castanha e enfileiravam, etc. . Realmente o  forte comercio de trocas e vendas e a melhor situação financeira era do Aningal   (a Rua da Frente, era um comercio mais fino).

Aningal, come caráaçú sem sal, não tem grupo, prefeitura, Santo Antônio, SESP,  Olaria, cemitérios quando morrerem vão morar na Luanda para sempre 

A Luanda só serve para guardar podridão é até nisto...

Realmente a Luanda era pobre, viase pelas casas de morada, que em maioria eram de palha, taipa, adobo e mesmo o jeito de viver.

Dificuldades nesta época não se sentiam, pois se vivia da alegria da pesca, da Olaria, da fabricação de tamancos (sapato da classe baixa e chinelo da classe media, usei muito tamanco), da caça, da venda nas suas próprias casas, de garapa, tucupi, tapioca, farinha, ovos, galinha e bolo de massa de farinha com castanha. Mamãe, que eu me lembre, foi a primeira horteleira da Luanda, moqueca (poqueca) de tucumã, camarão, este era seco pendurado em uma saia de sarrapilha, bem no meio da cozinha. Quando faltava almoço tiravase um pouco, colocavase no pilão, pilava, sacudia em duas cuias contra o vento para sair as cascas e colocavase no arroz, era uma delícia.

A água era do poço, por exemplo, em casa, tinha poço caliçado, com sarilho, servia toda a vizinhança, na dona Rosa Cutia tinha outro, já com carretilha, no São Benedito, um outro que servia a comunidade e assim em varias casas, quando no verão forte que os poços secavam eram cavadas cacimbas em toda margem do rio, cada três famílias cavavam uma. Ah ! Eu achava tão importante porque para se usar, teria que se esgotar, e logo voltava a água cristalina. Também se usava bastante água do rio. Falando em rio, tivemos na época quatro banhos gostosos: o Banho da dona Virgília ficava no começo da Santo Antônio, o Banho da dona Manuela, ficava no inicio da Tiago Serrão, a praia do Seringal e a praia do seu Rosi, todos foram mortos pela poluição e a falta de cuidado das gerações.

Viviam em casas de palha, taipa, adubo, haviam casas de alvenaria, mas eram poucas. Na verdade, as casas eram de acordo com as classes; como a classe baixa dominava, tinham mais casas de palha e taipa.

Na minha observação de menina, as casinhas de palha completavam a paisagem que no momento criava na minha mente. A casinha de palha , era só um quarto, com um esteio bem no meio, distribuindo as redes, parecia um carrossel. As redes eram arranjadas, com cabeçotes de redes de fio, substituíam o fundo com americano listado, às vezes costurado à mão ou desfiando os panos e amarrado. A casinha geralmente com quatro portas, duas na frente, e duas, para cozinha as portas eram de japá, pela manhã só faziam virar os japás, e davam forma de janelas. O pote, ficava no quarto, sobre uma forquilha de três pontas e o púcaro, encaixado em uma dessas pontas. Os copos eram latas de leite condensado.

A casinha era desprendida da cozinha, a biqueira (emenda do quarto com a cozinha) era feita de latas de querosene ou gasolina, formava a bica, esta, quando chovia, se tomava banho embaixo. O piso era de barro bem batido, o fogão de taipa, a mesa uma graça..., eu achava, eram varas cilíndricas, amarradas uma encostada na outra com cipós, parecendo um jirau, dando forma de mesa, os bancos a mesma coisa, só que bem mais estreitos que a mesa, o jirau bem do lado da cozinha e uns quadrados, também de varas, para colocar os baldes de cuia com água. Isto tudo me chamava a atenção, e eu achava lindo...! A cozinha era toda aberta, naquela época ainda não existia ladrão; faziase uma balança, com madeira e arame, e era pendurada na cozinha, na mesma colocavamse as latas de açúcar, café, farinha, etc. Seria o armário, vamos dizer. O banheiro era feito no quintal... somente um quadrado cercado de palha preta que iam buscar onde foi o aeroporto. Era tecida a palha, ficava trabalhado. Em casa, o banheiro era de tábua coberto de telha e o piso de cimento mas a sentina era o padrão do SESP, no fundo do quintal, de palha e a pedra.

O comércio não eram lojas... eram tabernas: Sr. Joventino (onde foi Sr. Mauca) Sr. Bíiades Tavares, Sr. Antônio Victor, Sr. Domingos Jones, Sr. Alfredo (peixe frito), Sr. Sapucuá, Sr. João de Matos. As casas eram bem separadas uma da outra ficando assim a vontade, dificilmente cercados, facilitando assim a comunicação. Quero que saibam que nestes períodos o conhecimento era total. Alenquer era só uma família.

Foi construido o Esporte Clube Internacional. Já  falei em alguns fundadores, mas quero acrescentar que quando chegou o Banco da Amazônia em Alenquer, em 22 de julho de 1956, e o gerente o simpático Sr. Cezar Augusto de Araújo Pinto, abraçou o movimento, acompanhava também com muito entusiasmo e carinho Dr. Salomão Athias, médico do SESP. Reforçada a comissão com Sr. Cezar e Dr. Salomão, o Sr. Genuíno Leite, fez uma operação comercial no Banco da Amazônia, autorizado pelo Diretor Silvio Braga e mãos à obra ... foi dado o inicio da construção ou a continuidade.

O colégio Santo Antônio foi fundado em 12 de Janeiro de 1956, com o nome de Educandário Santo Antônio e funcionava num prédio que era chamado de Sobrado. As primeiras irmãs religiosas: Irmã Felicitas, Irmã Henriqueta, Irmã Dileta e Irmã Selma. O vigário da Paroquia: Frei Patrício, e o Bispo da Prelazia, D. Floriano. Inicialmente funcionou somente o curso primário em 12 de março de 1962, foi instalado o curso “Normal Regional” ganhando a denominação de Santo Antônio, e o novo Prédio, sendo entregues as chaves pela senhora Ana Simões Hage, que era presidente da comissão da construção do prédio.

A oficina dos padres, esta completamente aparelhada com donativos ofertados pela Alemanha, funcionava a mecânica a carpintaria e marcenaria. O ideal dos padres, especialmente de Frei Francisco José, era funcionar como Escola Profissional para atender os jovens. Frei Francisco ainda consegui habilitar três rapazes, mandando para Santarém para o curso da F.A.O (organização de alimentação florestal) mas quem realmente assumiu, e foi dar aulas foi só um dos três candidatos: Raimundo Nonato de Sousa (Dicão), e da Alemanha ainda chegaram a vir dois profissionais (professores) para dar aulas. Ia tudo muito bem, mas depois Frei Francisco foi transferido e acredito que seus sucessores não tiveram o mesmo carinho, ficando a Escola Profissional Sto. Antônio sem os pulmões.

O estádio municipal era na frente da prefeitura. Sr. Heriberto Batista, prefeito da época, não sei realmente o ano certo sei que foi nos anos 50. Então para que um dos bairros (Luanda e Aningal) ganhasse o Estádio organizou uma disputa de Futebol entre Luanda e Aningal. O bairro que fosse o vencedor, lá seria o Estádio. Foi a Luanda que ganhou, e é por isso que foi o Heribertão construido lá. Até então o campo de futebol era na frente da prefeitura, lá onde era a câmara e a casa da promotora, era um barranco e tinha uma mangueira e uma azeitonera a charanga com a torcida ficava lá, e era dominada, quero dizer, chefiada, pela Ana Monteiro, Ana era alegre, gostava desses movimentos, era Luanda doente e casou com seu Waldomiro Jorade (meu primeiro patrão) presidente do Aningal. A torcida e a charanga do aningal ficavam na escadaria da prefeitura. É bom saber que na frente da prefeitura era usada como palco e que assistir vários espetáculos, vindos de fora e que dentro da mesma, tinham uns valiosos e raros quadros de figuras que foram importantes para Alenquer, pintados a óleo, e nas duas colunas sob a escadaria tinham duas Estátuas de porcelanas vindo de Portugal e que simplesmente na década de 60 sumiram quadros e estatuetas.

Hospital Santo Antônio... por que não falar sobre ele?... Pois seu início, ainda não se falava em centro...! e para mim, continuo morando na Luanda, e quero que saibam que sou louca por esta menina magoada, cheia de cicatrizes no coração e que tem um nome lindo, e que é muito educada e que cativa toda pessoa que por ela passa Alenquer.

Foi iniciado em 1963, por iniciativa de D. Floriano, sendo o vigário o meu querido Frei Francisco José, inaugurado em 05 de fevereiro de 1968. Construido com donativos da Alemanha, por intermedio de D. Floriano. A direção do Hospital Beneficente Santo Antônio, foi entregue por D. Floriano às Irmãs Missionarias da Imaculada Conceição, ficando na direção Irmã Blanda de Queiroz (1ª diretora). Os primeiros médicos foram: Dr. Luiz Flavio Figueiredo de Lima, Primeiro Diretor clínico, e Dr. Clodoaldo de Azevedo Costa.

É preciso saber que também houve muita participação, da comunidade Alenqueresse, foram realizadas quermesses como a da “Primavera” (que ainda vivia na época e que nos anos 70 morreu) a do “Carapanã” que foi realizada, onde funciona a feira, a campanha do Tijolo etc. Observem que os franciscanos, e as irmãs missionarias da Conceição têm muitíssima influência sobre algo importante e que serviria para a comunidade, só que algumas coisas não foram conservadas...

Cultura vou apresentar primeiro a alegria, porque no povo alegre surge algo importante que eu encaixaria dentro da cultura da Luanda.

O marambiré deixado pelos nossos negros (não é puxando o saco!). Todos os marambirés como do pacoval, cuipéua, e outros que tive a oportunidade de assistir são lindos! Mas o da Luanda era mais atraente, mais animado, mais entusiasmado, a roupa muito original, o ânimo era tão motivante que as jovens acompanhavam pelas casas que iriam apresentarse para dançar o Lundum. O Lundum é nosso, é da Luanda, é de Alenquer.

Pastorinha, o cordão do Tucano danças apresentadas pela constância Tomazia no seu tempo adequado.

Festa da Primavera era realizada no mês de outubro onde está o Colégio hoje, e que era um Bosque, pertencia ao Sr. Tideu Araújo e se chamava Bosque da primavera. A finalidade era ajudar a paróquia. Quando as irmãs chegaram, ainda continuaram com a tradição. Depois que o colégio passou a ser Estadual, acabou. Nesta festa tinha a parte de teatro (representações) dos artistas que eram os jovens da época, tinha venda: bolo, vatapá, saladas etc. a Luanda e o Aningal apresentavam suas candidatas à Rainha da Primavera, o voto era dinheiro dentro da urna, as candidatas eram crianças (observem que o Centro não aparece).

Festa de São Benedito, Era mais bonita ainda tinha aquele cheiro de originalidade deixado pelo nosso primeiro habitante da Luanda O negro.

A quermesse da Escola Paroquial São Benedito toda Alenquer participava, não tinha muita gente, éramos todos conhecidos; nesta festa tinha comédia, baladas, adivinhações, cantos, era muito animada.

Maria Joana uma boneca de mais ou menos 2,50m de altura, negra, confeccionada na Olaria Jacy, pelos filhos do capataz, era feita de paneiro, pano, algodão, o vestido bem rodado estampado, dançava ao som de um bumbo. Maria Joana saía em dezembro ou janeiro, para espantar as coisas ruins do ano que passou.

Quadrilha dança européia conheci ainda muitos portugueses que também habitavam em nosso meio (Alenquer) e que a Luanda foi felizarda em receber a maior parte, ganhando, assim de presente suas influencias culturais. É por isso, acredito eu, que a Luanda faz homenagem aos portugueses através de seu artista Joaquim Sena. Não sei se já ouviram o “Lundum”, onde faço homenagem aos Índios, aos Negros e aos Portugueses, porque tenho certeza que foram eles que deram origem à Luanda. Um escolheu o lugar, o outro projetou, e os demais moldaram. Dancei muita quadrilha, o mais importante era quem marcava: o Sr. Manelzinho coroseco, descendente de negro, deu para entender a mistura de cultura?!..

Festa na roça O clube Internacional , era ornamentado com bananeiras, bandeirinhas de papel, paneiros, tipitis, coisas da roça. O pessoal chegava para a festa de carroça de boi, cada qual mais enfeitada. Era uma alegria total.

Importante isto, e muito responsável, eu acho. Nos anos 60, mais ou menos, foram fundados dois clubes por jovens da época: o Botafogo, no aningal, e o Flamengo na Luanda. Para o Bota foi alugada a casa onde fica um consultório dentário (Lauro Sodré, aningal), para o Fla, foi alugada a casa onde hoje é dos Escoteiros (Luanda ). Num sábado, a festa era no Bota, íamos todos para lá, outro sábado a festa era no Fla, vínhamos todos para cá. Não podíamos fazer as duas festas juntas se não uma pifava, e da renda das festas era de onde saiam  os pagamentos dos alugueis, luz etc... Na época se falava muito em Remo e Paysandu, (hoje quase não se ouve). Então se faziam concursos de rainhas com candidatas do Leão e do Papão e outras coisas mais para se arranjar o dinheiro para as despesas. Um dia, o Fla estava pronto para sua festa, e a luz não veio, o que fizemos? Colocamos lamparinas, por toda sala (ao redor) e velas sobre as mesas. Neste tempo a bebida ficava dentro de um caixote com gelo e casca de arroz. E a festa comeu tampado... Tudo natural e sadio, a música era de sopro, como costumo dizer, era artesanal, e não mecânica.  Então energia para nós jovens da época não era problema, a festa saía de qualquer jeito. Sim, tinha a diretoria masculina, eram só jovens, mas também a diretoria feminina. Lembro do Bota: Raimunda Neite, Maria Ocy, Ivanilde Valente, Ises Leitão e outras mais... do Fla: Zaide Valente, Braselina Ferreira, Consuelo, comadre Nazaré, Beatriz do Vale e outras que não lembro.

Serenata O rapaz vinha com o pinho (violão) e cantava para sua amada, ou então pegava uma eletrolinha de corda arranjava um ponto para ela ficar, colocava o disco e a eletrola transmitia a mensagem.

Ah! Luanda... das Serenatas, das Inspirações, das brincadeiras: de roda, cipozinho queimado, do anelzinho, do pião, da peteca, das bonecas, das casinhas, do papagaio, da Tia chica, da macaca, de todo tipo de brincadeiras... sei porque em casa era onde se reunia a criançada, e de tudo isto participei. Luanda dos papagaios e curicas no seringal, com suas vozes em coro, saudando o final do dia com uma afinada orquestra, quem sabe talvez, na suas linguagem, agradecendo a sua volta (ao dormitório) à nossa Senhora... Luanda  das garças que pousavam sobre as seringueiras, com seu lindo e rouco gazinar, procurando dar um tom exuberante na paisagem do nosso criador, e que o homem sem dó e sem consciência destrui o nosso saudoso Seringal... Que maldade!?...

Luanda dos ritos e mitos da “Volta da Paciência” do “Juvenal” do “Calça Molhada” do “Carroça ao Luar”, etc.

Luanda, que no pôrdosol se vê
O teu suave e elegante encanto
E no clarão dourado do amanhecer
O teu perfil sedutor encanto...

###      ###      ###  

 O casarão de minha infância 30/04/1991
Beatriz do Valle

O zinco cobrialhe a frente.
Os colibris visitavam docilmente
A trepadeira que não vejo mais como aquela,
Que protegia o portão e a janela.
O alocroismo ao contemplar....
Mostrava o gracioso pomar
Com silenciosas e lindas sombras
Atraindo a visita de pombas.
Suceneira com inebriante perfume
O clarão sutil do vagalume 
Vergamotas ornavam o quintal
Aramando o enorme bananal
No abroço calofriante do vento
Ao encontro íamos do seu acalento
Com brincadeiras de corda e bonecas
Tia chica, macaca e jogos de petecas.
Ah, tempo sem retrocesso!
Dávamos conta com acesso
Da turma de nossa idade,
Tudo naturalmente sem vaidade.
Foram anelos de grande aliança.
Que renascem em minha lembrança.
Casa de andar era goiabeira
Dona Mercedes de nossas bonecas a doceira,
Que com seu jeito paciente,
Seus doces faziamlhes presentes
Nas nossas festas de lazer
Que eram realizadas com prazer.
Ana Helina Martins, Neusa Barile foram convidadas 
Nazaré Moita também. Uma parada 
Para um batizado, isto marcou...
Preparado tudo estava, quando a goiabeira arriou.
Na festa, tinha doces, farofa, refresco e licor
Que este a mamãe fazia de toda cor.
Fitas penduradas de papel crepom,
Enfeitando e dando verdadeiro tom.
Goiabeiras de espécies diferentes,
Não volta mais o que passou de repente!
Mamãe fazia de fato nossa vontade.
Ah, minha infância que saudade!
Da cueira, cutiti, cacau, araça, caju 
Tangerina, sapoti, abacate, urucu
Café, ata, manga, pupunha e abiu 
Tudo isto contemplava o arranjo sombrio.
Coqueiros espalhados e limão
E bem na cerca do vizinho o frutapão.
Um seringueira há no fundo, bem visosa 
E a pitombeira perto do jucá muito vaidosa.
E o mamoeiro, papai seu galho mudava,
Engraçado, nascia... e a papai agradava.
Um poço que servia a redondeza
Seriamente, era fraternal beleza.
Três quartos, cozinha com chaminé no fogão,
Uma despensa, uma varanda, tinha o casarão.
Um enorme parapeito.. com plantas lindas!
Ah, como me lembro de tudo ainda!
A sala de palco servia,
E o espetaculo trazia alegria,
Acabando com o silencio amedrontado 
Que havia ali espalhado.
As cortinas nossos lençóis. Tão bem..
Ficavam soltos no vaivém
Roupa de mamãe esvoaçava..
Enquanto Marielza, Chiquita Bacana cantava
Ah tempo de felicidade!
Que não se percebia a maldade..
Papai seu Sase tocava
E Mamãe com sua vos ajudava.
Ah Luanda do calço Molhada!
E da Carroça ringindo na noite calada
Das curicas e papagaios no seringal a cantar,
E brincadeiras de roda ao luar...
Começava a chegar... tudo alegrava,
Incrível uma só família ficava
e... tudo passou...
mas a recordação em mim ficou.
Carminha, Delfina, Beth e Aníbal Arrais.
Tempo bom que não volta mais!
Orlandina, Valdeyses e Valdemar.
Só em pensamento, podemos a turma juntar.
Plácida, Deolinda, Domingas Paz e Edmundo
A saudade, vive no meu coração, bem fundo. 
Maria do Carmo, Georgina, Mundinha e Bené,
Quem sabe um dia formaremos um forte sopé.
Venezuela, José Miranda, Antônio Sarmento, e Ana 
Ah, minha infância fostes tão bacana!
Benedita, Pedro Modesto, Adilson e Luiz (1º)
Fecho os olhos e tudo me diz
Que nunca deixarei de lembrar
Estes amigos que me fazem sonhar.
Artur, Miro, Gizuea e mandoreba que coisa boa!
Nossa amizade, não foi de certo à toa.
Ivanilde, Edmilson, Álvaro, Juracy, Luiz (2º) 
Este pessoal já se foi e esta feliz
Ao lado do senhor e de Jesus
Ajudando levantar do Mundo a Cruz.
Ah, minha inesquecível infância!
Do Bendito é louvado de Constância
E sua pastorinha de Dezembro
Como era bom eu ainda lembro
Do marambiré do jacaré, coro seco e coroca
Eu adorava.. parecia na maloca
E brasileira me sentia muito mais,
Naqueles tempos me ficaram para trás
Do sobrado e tradição da primavera
Ninguém mais fala.. já era..
Com isto tudo nossa infância floria,
E o verdadeiro amor, a gente sentia.
Ah, tenho muito para contar!
Volto menina quando volto a lembrar
De São Benedito, e a festa de arraial
Era mais bonito e muito mais natural
Imponente minha Luanda te vejo!
Com teus longínquos e amáveis lugarejos
Que nos davam somente alegria
E a gente sem perceber sorria
Foi o que realmente eu quis
Em minha infância ser feliz
Não me adimito munca te esquecer
Pois ajudando, ajudasteme crescer

Meanimam



### ### ###

Outono 20.03.1986

Beatriz do Valle

Folhas caindo.
Brisa levando
Guarida chegando,
Até quando?
Vidas surgindo.
Sempre chorando
Passagem entoando,
Até quando?
Surge alegrando
Gente dançando.
Ora machucando,
Até quando.
Tudo sonhando.
Pro alem voando
Eu fico pensando
Até quando?
Folhas renovando.
Alegres balançando.
Meu rosto rugando,
Até quando?
Matéria desmanchando.
Vidas transformando,
Como as folhas, renovando,
Isto não sei até quando!?..

Meanimam

### ### ###

Conversa com alguém 30.11.1981
Beatriz do Valle

Tu que viestes em mim
Para fazer tudo brilhar.
É só diamante, É só Jasmim
É só puro vejo em teu olhar.
Porque sou tão egoísta
E me orgulha este dom?
Tu que És do mundo o artista
E repartistes porque És bom...
Com quem diz ser o teu irmão
Sem preconceito teu saber
E ele sem perceber tua intenção
Te deixa a aborrecer.
Por que não fito a natureza
Para te lembrar um instante?
Se tudo em Ti é beleza
E te pressinto incessante
Se eu soubesse a vida viver,
Olhar sem opinião
Levava a te crer
Com todo o meu coração.
Se limitada fosse a falsidade
E constante fosse a consciência
Estavamos presentes na caridade
E não maltratavas com tua ausência
Te tenho humilde sem limite..
Cheio de amor e bondade
Dizendome que te imite
Que do mundo deixe a vaidade
Como sou tão frágil...
Prometo naquele horário.
Por que me fizestes tão hábil
Para fazer o que pedes ao contrario?
Sim estou muito bem Te ouvindo
Prometo fortemente o que escuto
Dando ás crianças e pedindo
Farei tudo o que me pedes, mas oculto.

Meanimam

12:00 horas (noite) estava pintando, parei para escrever..

### ### ###

Criança! 21.01.1979
Beatriz do Valle

Acredito em ti.
és a esperança o orgulho,
és o bonito mergulho.
és o fantasma esperado,
és o meu cuidado.
és o diamante maravilhoso,
és o dia manhoso.
és da rosa o botãozinho,
és o passarinho.
és o por e o nascer do sol,
és o girasol.
és o vento que a água alisa,
és a brisa.
és o mais puro odor,
és o amor
és do frio o agasalho
és o entalho.
és a pura beleza,
és a natureza.
és o tempo sombrio,
és o bonito assobio.
és a pureza,
és a certeza.
és o espetáculo lotado,
és o céu azulado.
és as estrelas mil
és o céu de anil
és o meu Brasil.

Obs: classificada e publicada no concurso de 1984 – Crisalis Rio de Janeiro

### ### ###

Sonho Meu 12.03.1984
Beatriz do Valle

Sonho perfeito
Começo a sorrir..
Levanto nada feito
É melhor rir.
Sonho, sonhei, sonhado.
Estava nas nuvens de véu,
De repente toda enrolada
E o sonho estava ao céu.
Sonho não me deixe acordar.
Só assim vivo feliz,
Em ti quero sempre nadar,
E sentir a vida que quis.
Sonho que sustenta
Da vida muitas cores
Deixando sempre atenta
Segurando meus amores.
Se não fosse viver sonhando
Que isto me faz reviver
Não sabia até quando
Ficava sem saber ser.
Viver de sonhos é riqueza
É experimento de agora...
Afirme pra você a certeza
Que tão cedo você não chora.
Assim se vai levando
O mundo de tantos odores
Sonhando se vai vivendo
Esquecendo da vida as dores.

Meanimam

### ### ###

Mundo! 25.04.1981
Beatriz do Valle

Por que me tratas assim,
Com um espinho de ponta sem fim?
Se morreres..
E não fedesses...
Era razão de me preocupar,
E dar um jeito de me transformar.
Se falo em protesto,
Me cuidas como resto.
Por que me recusas
E me tens como intrusa?
Se saí de um agasalho
Foi para quebrar teu galho.
Pertenço a teu meio
E não me das recreio?
Com isso o que queres de volta,
A minha revolta.
Não esquece, sou gente
Por que não devolves o meu ambiente?
E então coração...
Precisamos de colaboração
Não quer estenderme a mão...

Meanimam

Obs: classificada e publicada no 2º concurso Crisalis em 1985, Rio de Janeiro

### ### ###

Bandeira do Brasil 01.09.1982

Beatriz do Valle

Bandeira do Brasil!
Símbolo de nossa Pátria.
Tu recordas, os brasileiros que te defenderam com tanto patriotismo,
E como heróis ficaram em nossa história.
Bandeira do Brasil!
O triângulo lembra o cristo e tens em duas posições, dandote a forma retangular.
Em tuas laterais internas tens o losango,
Também formado por triângulos.
No centro, tens a esfera, a forma do Mundo
Que está voltado para ti.
Por fim, tens duas paralelas nos transmitindo a Ordem e o Progresso
Desse gigantesco País.
Tu tens a geometria em teu poder.
Que beleza. Em ti também
Recordamos os grandes matemáticos.
Tu fostes maravilhosamente planejada.
Honra e mérito à teus planejadores.
Tu es a mais linda das Bandeiras.
Tuas cores, é de um colorido de prazer, alegria coragem e emoção.
O verde, é o taboleiro que se observa lá do alto.
O amarelo, e´a riqueza que o nosso Pará exibe.
O azul, é o teto do prédio
Construído pelo arquiteto do Universo.
O branco, simboliza a paz.
Bandeira do Brasil!
Fostes conservada cuidada e honrada 
Pelos grandes homens que se foram
E podes crer que continuaras sendo honrada e amada por todas as gerações.

Meanimam

### ### ###

Criança 10.10.1981
Beatriz do Valle

Quisera eu, poder voltar a ser criança,
Para fazer todo tipo de traquinagem,
E assim, sentir de Deus a Sua presença
E gravar em meu sorriso a Sua imagem.
Criança, tu és a mais pura flor
Teu olhar derrama meiguice
Teu sorriso solta amor
Teu andar é uma tolice.
Hoje é teu dia, não fica muda
Aproximate e dáme teu beijo
Se em ti não existe Judá
E por isso te admiro e te desejo.
Tudo em ti é bondade
Nada te leva à vingança
Se não existe em ti orgulho e vaidade
E para o Brasil, és a esperança
Reviverás os teus amigos em tua festa
E de onde estivermos, notaremos o teu ruído
Na tua saudação, à criança ou em tua palestra 
Se nessa hora, para eternidade já nos tivermos ido.

Meanimam

###      ###      ###  

 Alenquer minha porção Folclórica 29.11.1985
Betriz do Valle

Tua caminhada é da Iara
E os costumes dos abares
Teu canto do Uirapuru,
Tua dança o Marambiré.
Teu perfume é da Iracema,
Do Juvenal a loucura,
Os laços da cobra grande
Da moça branca a ternura.
Tua magia é do Candomblé 
Do boi Bumba a sensação
Tens o amor de Santo Antônio
E da Mãe D’ água a emoção.
Tu tens a cultura artística
Dá bem para notar
Tens a humildade
Longe de alguém encontrar.
Tens a manifestação folclórica
Música, festa supertição 
Lendas crendices e mitos
Entranadas no teu coração.
Tens tudo na vida
Tens alegria sorridente
Tens natural meiguice
Que cativa derrepente.
És minha porção floclórica
És a minha namorada
Que deste tudo que quis
Mesmo assim, eu não sou nada.

Meanimam

Obs: classificada e publicada no Rio em 86 em Alenquer, 1º lugar em 1989

###      ###      ###  

Lágrima 13.08.1984
Beatriz do Valle

Sentida gota salgada
Que sufoca quando perdida
Deixando uma dor n’alma
Com cicatriz da partida
Sinuoso rio da vida
Duro de navegar
Entrelaçando cada curva
Não deixando nada passar
Tu tens infinito sentido
Agora mesmo quero chorar
Lembrando o meu paizinho
Que há pouco houve partido
Mas como... não sei onde está
A nuvem desfalecida
Para desaguar o meu pranto
E o meu coração poder lavar
Lágrima que baila num palco oval,
É um sentimento insistente
Que serena o peito ferido
Deixando ternura apresente.

Para Papai com todo meu Amor

Beatriz

###      ###      ###  

Amor perfeito. 03.03.1971
Beatriz do Valle


Mãe esperança
Mãe achagada
Mãe confiante
Mãe preparada
Mãe corinho
Mãe atual
Mãe espinho
Mãe banal
Mãe bondosa
Mãe coragem
Mãe saudosa
Mãe imagem
Mãe vazia
Mãe fantasia
Mãe verdadeira
Mãe toda hora
Mãe antiga
Mãe de agora
Mãe amiga
Mãe magoada
Mãe cheia de dor
Mãe danada
Mãe amor
Amor universal
Amor bem feito
Amor ideal
Amor perfeito

Meanimam

###      ###      ###  

Bolhas de sabão. 15.02.1988
Beatriz do Valle

De esquina em esquina
Coloriam as avenidas
E a brisa malvada.
Acabava com suas vidas.
Alegres saiam garbosas,
Com cintilação multicor
No espaço flutuavam charmosas
Com incrível mudança de cor
Eram milhares a bailar.
Formando poteoses elegantes
Cheguei parar para observar
A maravilha exuberante.
E uma, veio onde fiquei
No meu ombro baixinho mormurou:
Sabes que de ti gostei!?,,
E logo, logo se acabou,,
Nem bem pude admirar
Pois as bolhas de sabão
Vêm só fazer agente sonhar
E tão depressa se vão.

Belém. 19.02.1988

Obs: estava numa praça de Belém quando o garoto passou com bolhas de sabão.

###      ###      ###  

Eu te amo. 02.02.1988
Beatriz do Valle

Eu te amo Senhor!
Por que vejo em ti
O amor, a chuva, o Vento
E o teu grande amor.
Eu te amo meu Deus!
Porque vejo em ti
A planta, o sereno, a brisa
E a paciência pelos semelhantes teus!
Eu te amo Senhor dos Mundos!
Porque vejo em ti
O animal, o trovão, a tempestade
E o teu carinho com os vagabundos.
Eu te amo grande arquiteto!
Por que vejo em ti
O dia, a noite, o silencio
E o azul infinito de teu teto.
Eu te amo Rei da caridade!
Por que vejo em ti
A erva, o grão de areia, a fumaça
E a tua filosofia da verdade.
Eu te amo advogado das crianças!
Por que vejo em ti
A borboleta, a flor, o beijaflor
Toda minha esperança
A confirmação de minha fé,
A elevação de meu amor
Com força e confiança.

Belém. 02.02.1988

Obs: 2º lugar no festival de poesias em Junho de 1989 em Alenquer

###      ###      ###  

Saudade. 09.03.1988
Beatriz do Valle

Pesar tão profundo
Que dentro roi agente
E não existe no mundo
Quem a domine facilmente.
Dor com dói sem doer
Que com jeitinho faz lembrar
A vontade de reviver
O que não se pode voltar.
Saudade, sei por que sinto
E uma anciedade anciosa. 
Saudade é um labirinto,
Que acorda a lembrança manhosa.
Vem no luar,
Vem numa canção
Vem pelo ar
Machucando o coração.

Belém 09.03.1988

Para Diquinho com carinho

Beatriz

###      ###      ###  

Adeus minha escola. 28.12.1986
Beatriz do Valle

Lembranças mil guardadas
Conseqüentes cedo deixar
Seras por mim velada
Nunca deixarei de te amar.
Os professores, a saudade
As aulas, a recordação
Meus colegas a lembrança
Que carregarei no meu coração.
Não quero me demorar...
Se saudade sentindo estou
Amanha mesmo estou a voltar.
Que Deus ilumine com ardor
A turma que vai segurar
A humildade de teu amor.

###      ###      ###  

Tenho ciúme 01/07/1987
Beatriz do Valle

Tenho ciúme sim de você
Porque é defeito?
O amor antigo era assim,
E era mais perfeito.
Tenho ciúme sim de você
Porque acho horror?
O amor antigo era assim,
E havia mais amor.
Tenho ciúme sim de você
Porque acho chatice?
O amor antigo era assim 
E havia mais meiguice
Tenho ciúme sim de você
Porque acho ilusão?
O amor antigo era assim
E havia mais compreensão,
Tenho ciúme sim de você Diquinho
Porque me acho cafona?
O amor antigo era assim
E existia muito mais honra.
Tenho ciúme sim de você..
Porque acho infantilidade?
O amor antigo era assim
E havia mais dignidade.
Tenho ciúme sim de você,,,
Porque acho mesquinha paixão?
O amor antigo era assim
E existia ciúme sim de você
Tenho ciúme sim de você
Porque fique você sabendo
Que meu ciúme crescera com a minha velhice.

   ###      ###      ###  

 


Papaizinho querido. 07/08/1987

Beatriz do Valle

Meu Papaizinho querido
“Amigo do meu coração”
te quero por toda vida
com muito amor e emoção.
Neste dia de carinho
Que te abençoe o Senhor
E do jardim de minha infância
Quero dedicarte uma flor
Esta homenagem papai
E feita com simplicidade
Que papai do céu não esqueça
De te dar toda felicidade

Recitada no dia dos pais em 1987 na maçonaria pela menina Martha Monteiro.

   ###      ###      ###  

 


Parabéns Papai. 06/0/8/1987

Beatriz do Valle

O amor não é bem compreendido
Mesmo com a minha vaidade
Estou muito convencida
Da eterna Santa Trindade.
Tu, com o teu amor Papaizinho
Fizeste eu sentir tanta beleza
Com efeito de teu carinho
Contemplei a natureza.
Pelo teu dia, parabéns Papai
É um duplo amor no meu coração
De minha afeição o Papai não sai
Perdurando minha gratidão.

Recitada em 1987 no dia dos pais na maçonaria pela menina Patrícia Valente.

 ###      ###      ###  

 Felicidade. 12/11/1988
Beatriz do Valle

Felicidade onde Moras?
Só apareces em pedaço
Como pequenas amoras,
Como se eu fosse de aço.
Por favor felicidade,,,
Chega de brincar
Abandona essa maldade
E fica para me amar.
Já perdi o momento
Que vinha me visitar
Agora ouve o meu lamento
E fica para me amar.
Estás tão esfacelada
Difícil de emendar
Não me faz magoada
E fica para me amar.
Felicidade, ondas tão escondida
Que fico sem me apoiar
Volta minha querida
E fica para me amar.
Vem minha flor
Enquanto estou a implorar
Trás esse raro amor
E fica para me amar
Ah! Por que corres felicidade
Quando quiseres atrás voltar
Talvez me falte a idade
E não saiba mais amar

Meaniman

###      ###      ###  

De que vocês querem que eu fale?!
Beatriz do Valle

Do ódio,
Do prazer
Do orgulho
Da vaidade,
Da ganância
Da falta de lembrança
Da mentira que existe na elite,
Ou da bela frescurite?!...
Ou querem que fale,,
Da amizade
Da lagrima
Da saudade
Da bondade
Da fraternidade
Que domina a saudade...
Ou da grande frescuridade?!...
Ou querem que eu fale
Da miséria
Da amargura
Da confiança
Do vazio
Da conformação
Da esperança
Dos melhores dias
Da baixa,, da procura
Da tal doçura
Ou da enorme frescura?!...
Ou rerem que eu fale,,,
Da natureza
Da beleza
Do azul celeste
Do colorido do amor
Do matis das matas
Da maravilha do universo
Do amor imaginável
De sua perfeição
Ou da fascinante frescuração?!...

Meaniman
Obs: frescuração no bom sentido, é claro

###      ###      ###  

Felicidade 16/02/1988
Beatriz do Valle

É nascer, nascendo
É viver, vivendo
É sonhar, sonhando
É amoar, amando
É morrer, morrendo
É saber sabendo
É aceitar aceitando.
É achar, achando
É tirar, tirando
É conquistar, conquistando
É apoiar, apoiando
É agüentar, agüentando
É calar, calando
É jogar, jogando
É abraçar, abraçando.
É fortificar, fortificando
É aprimorar, aprimorando
É levantar, levantando
É não abusar, abusando...

Meaniman

Belém 16/02/1988

###      ###      ###  

Alenquer meu querer. 12/101988
Beatriz do Valle

Alenquer, meu querer..
Tu vives longe do olhar
Sem percepção a crer
A espera de um ser
Que possa te segurar.
Um pena te ver maltratada
Suja e mau vestida
Eras tão bela e alinhada
Hoje ninguém vê teu estilo
A tua roupagem azulada
E o reflexo de teu cintilo
Tão arrumada eras e educada
De uma honra situação
Agora causando cuidado
Estagnada e sem ação
Teus adornos são roubados
E também a fibra de teu coração.

Meaniman

###      ###      ###  

Alenquer minha paixão 10/02/1990

Beatriz do Valle

No amanha quero encontrar
O que o ontem te fez sorrir
É possível sim fazer voltar
O que te fez sobressair.
Continua a moça esbelta
Mesmo com molecolas sufocantes
Com teu corpo crostado delas
Teu aconchego é como era antes.
Mostras raríssimas jóias
Que é só vista pelo impostor
Deixando árdua glória
Morrendo de leve o teu amor.
Te vejo ainda a caminhar...
Como a luminosa estrela matutina
Pairando lépida no ar
Escapando das aves rapinas
Alenquer minha paixão
Talvez não vá te contemplar,
Mas as raízes de meu coração
Certamente continuarão a te amar.

Meaniman

###      ###      ###  

Ideal. 24/02/1988
Beatriz do Valle

Lembras que por ti procurei...
Na esperança de me confortar
E quando de Manoel me aproximei
Meu coração apertou para não chorar
Tens muito de emanoel
Então não pude compreender
Por que oferecias o cálice de fel
E a carrocinha para me prender
Carneiro raízes muito elevadas
Bonitinho, limpinho e fofinho
Quando resolve dar amarradas
Espatifa a amizade de carinho.
O leite, branco qual pureza
Na sua evolução comigo deparou
Senti prolongada,, frieza
Que o puro leite derramou,
Manelito, a necessidade abrigou
No seu famoso ideal entrar
E nem comigo quase falou
Mesmo assim, não os deixo de amar.

Meaniman

Belém 24/02/1988

###      ###      ###  

O astro Rei. 29/02/1990
Beatriz do Valle

És o rei maravilhoso
Adormeces lentamente
Com expressionismo carinhoso,
Conquistando docilmente.
O por que tens em abundancia
O artista para a admirar
Trazendo verdadeira anciã
Para a arte inspirar.
Tua gigantesca velocidade
Vai os males abraçando
Com humildade simplicidade
A tarde vai namorando.
E os amantes vão segurando,
Este mundo de certo imundo,
E como sempre amparando
O belo e o vagabundo.
Não tens nenhum rancor,
Apesar de erros efeitos
Deixas exemplos de amor
E lembranças do que é perfeito.

Meaniman

Obs: classificada e publicada no concurso Rio de Janeiro em 1991.

###      ###      ###  

 Canção do tempo. 17/07/1990
Beatriz do Valle

Sabes o que é a criança
Cuidaa
Ela anseia confiança.
Sabes o que é a flor?!
Regaa 
Ela espelha belo odor.
Sabes o que e a brisa?!
Contemplaa ...
O tempo é uma balisa.
Sabes o que é o passarinho?1
Imitao
Que desperta o teu carinho.
Sabes o que é o arvoredo.
Ouveo
Que descobres ocultos segredos.
Sabes o que é o amor?!..
Cativao
Que o mundo não te Dara pavor.

Meaniman

###      ###      ###  

A tarde. 11/04/1991
Beatriz do Valle

Morrendo a tarde vai,
Sinto a saudade chegar,
Com meiguice o sereno cai
E os meus olhos Poese a chorar.
A campina, ela vai envolvendo
Com o panorama a noite pendendo
Cobrindo com majestoso manto
A verde mata e seu pasmo encanto.
E a passarada demonstra com exatidão
O seu maravilhoso e afinado refrão,
E da garganta sinfônica a voz dilata
O eco emocionante embriagando a mata.
A louca e interessante magia
É feita com delicada harmonia
Da impressão de “gorjeios de preces”
Para quem a virgem Maria oferece.
E essa deslumbrante beleza,,,
Faz mais bonita a natureza.
E a prece em forma de canção
Deixa esperanças para o meu torrão.

Meaniman

###      ###      ###  

Sarita. 20.08.1985
Beatriz do Valle

Medica em matéria fostes
E nada destes.
Não satisfeita...
Subistes ao tribunal.
Por estatus, letras abraçastes,
Disto tudo nada levastes.
Nascestes com muita elegância,
Revestida de inútil ganância.
Como dama facilmente
Fracassastes gentilmente.
Aventureira no mundo de vaidade
Desfizestes a tua liberdade.
Vivestes no espaço errante
Agora brilhas qual o diamante.
Pagastes pelo egoísmo
Com o teu heroísmo
Persuadido tudo ficou
E a felicidade chegou.
Alegreme tua luz
Que ora me conduz.
Ao lado do Senhor
Estas a iluminar
Como os flocos do luar.,
Para não desfalecer
A humanidade de viver.

Meaniman

Para Sarita com carinho da amiga
Beatriz

###      ###      ###  

Como e bom se amar 20.05.1986
Beatriz do Valle

Gosto do arejo,
Mas não do percevejo.
É importante ser amado,
Mas não amarrado.
As vezes, é preciso uma conversa dura,
Mas não com ferradura.
Adoro me divertir,
Mas não certos sentimentos sentir.
É maravilhoso um gesto agradável,
Mas não com cara de cadavel
É muito bom um sorriso,
Mas não descarado e liso.
É tão bom contemplar a natureza
Mas não com fraqueza.
É lindo a humanidade,
Mas não com falsidade.
Como é bom se amar,
E assim poder achar
Na vida o amor
E no jardim a bela flor
E dos dois poder vê a cor
E sentir a grandeza do calor.

Meaniman

###      ###      ###  

Vento. 22.05.1991
Beatriz do Valle

Que sopra as verdes matas,
E que faz sentir o mundo,
As qualidades que retratas
Com amargo e doce profundo.
Acendeias a vela do veleiro,
Para sua eficaz andança,
Com o apoio verdadeiro
Sai o veleiro com muita confiança.
És pujante e ligeiro
De sutileza comovente
Conduz pelo mar o roteiro
Do veleiro lentamente
Convidas os namorados quando lento
Faz com que contemplem o luar
Como se fosse um acalento
Damos as ondas e serenas o mar.
Quando tudo está errado,
Consegues o humano temer,
Lembrando que é amparado
Pelo grande Onipotente Ser.
Estraçalhas o maior e o pequenino.
Sem preferência de situação
Entrando em qualquer buraquinho.
Uma forma de chamar atenção
Justo, perfeito e benevolente
Te encontram em toda parte
É que o homem é tão displicente
E não observa a figurada arte.

Meaniaman

###      ###      ###  

José Júlio, Miguel Ângelo e Nonato. 22.06.1991
Beatriz do Valle

Quem sabe, somos a morfologia...
Para vocês, talvez uma miragem,
Mas que fique como verdadeira magia,
As coisas boas de nossa imagem.
Quando um dia estivermos do outro lado,
Contemplando nossos filhões,
Certamente estamos calados
Mas com vocês em nossos corações.
O viver bem, é maravilhoso
E vocês, nossas vidas completaram
Ficando um lar tão gostoso...
Quando à nossa chopana chegaram.
Pedimos constante ao Senhor,
Que escute nossa oração
Conserve para sempre o amor,
Para não haver desunião.
Foi uma dádiva do céu,
Os filhões serem unidos 
Não deixem nunca ao leu,
O carinho que lhes esta contido.
Não sei de alguém diz erramos,
Ou se os apoiamos demais,
Só sei que os amamos,
E como este amor jamais,,,,

Meaniman

De Dição e Bia para os Filhões

###      ###      ###  

Eu te vi caminhando (27.12.1991)
Beatriz do Valle

Te vi, em caminho desconhecido
Com casebres de palha
Como se fosse migalha
Mas com um brilho comovido.
Te vi, chagando seriamente
Ao som de uma melodia
Num maravilhoso dia
Sumindo derrepente.
Te vi com calças dins regaçada
Camisa aberta no peito
Mas isto tão perfeito
Em apresada caminhada.
Te vi, com os pés descalços
Cabelo levemente assanhado
Como quem quer ser levado
Forçadamente por muitos laços.
Te vi, um tanto preocupado
Com o rosto sem sorriso,
Sem a presença do paraíso.
Te vi, desarrumado e aborrecido
Sem querer conversação
Como se estivesse amanhecido.
Te vi, passando e voltando
Olhando para trás,
Como se não voltasse mais
Eu te vi, mas te vi caminhando.

Meaniman

###      ###      ###  

E acordei  (12.01.1992)
Beatriz do Valle

Sonhei que vinhas correndo
Voltando para algo importante
Impressão de alguém morrendo
Entravas em um túnel sufocante.
Fui atrás, em disparada corrida.
Seguias uma linda criança
Ela muita espantada e ferida
Sentindo perdido do mundo a importância.
Em rumo diferente no túnel entrei
Sem que visses em algum momento
Lindos caminhos e flores encontrei
E sentia no meu rosto o sopro do vento
Adormecida com a beleza
Mas caminhando para a criança encontra
Despercebida asustoume a fortalezas
Que abrigoume um instante parar.
Foi ai que vi uma flor em botão
Era a criança desesperada
Que vinha em minha direção
Cabisbaixo caindo, com fome e cansada.
Carregueiaa com um abraço
Alegre, apertei, apertei!...
Neste aperto, notei que eram teus braços.
E acordei...

Meaniman

###      ###      ###  


É sem o meu coração. (27.09.1991)
Beatriz do Valle

Não imagine nunca
Uma disputa.
Se em casa você tem,
A sua puta
Entre nos dois
Não deixe criar pó,
Já sentiu que sou
O seu xodó?
Como uma constante...
Você tem a amada amante
Não brinque e nem faça besteira
Já percebeu que sou sua lavadeira, cozinheira
A maldita companheira.
O que mais você quer?
Se sou a bandida mulher.
Sou certamente vagabunda
E bastante oriunda
Vivo a lhe perseguir
Como a chata mariposa
Mas sou a bandida esposa.
Que para sempre vai lhe seguir
Mesmo no amor ordinário
No clarão ou na escuridão
E sem o meu coração.

Meaniman

Para Diquinho com carinho

Seu lugar na Internet!